Veículo: Correio
Braziliense
Seção:
Economia
Data:
14/12/2008
Tempo perdido para
aposentar
A crise econômica que se
abateu sobre o mundo está fazendo com que muitos brasileiros que foram
morar e trabalhar no estrangeiro estejam de malas prontas para voltar ao
país. Num cenário externo que já
vinha sendo pouco receptivo à migração — como a tendência anti-migratória
na Europa — junta-se agora a desaceleração econômica, além do fato de o
câmbio não estar mais tão favorável quanto foi no passado, o que significa
que o ganho lá fora e a poupança que o emigrante consegue fazer já não são
mais tão significativos. No retorno, ganha nova dimensão a questão
previdenciária. Quem chega de volta ao Brasil e teve um trabalho regular
no exterior quer contar o tempo de contribuição para a aposentadoria.
“São inúmeros os pedidos de informação”, conta o secretário de
Políticas Públicas de Previdência
Social, Helmut Schwarzer. Ele admite que muitos brasileiros se
surpreendem ao tomarem conhecimento do que, mesmo tendo pago a Previdência
no estrangeiro, não poderão aproveitar o tempo de contribuição para a
aposentadoria aqui. Isso acontece, segundo Schwarzer, quando não existe
acordo internacional entre os dois países — onde trabalhou e o Brasil. Por
isso o esforço em fechar acordos internacionais, que beneficiem tanto os
brasileiros que trabalham regularmente no exterior quanto os estrangeiros
que trabalham aqui.
O subsecretário-geral das
Comunidades Brasileiras no Exterior, embaixador Oto Agripino Maia,
concorda com Schwarzer. Segundo o embaixador, o tema previdência é
destaque entre os brasileiros que trabalham regularmente e são mais
organizados lá fora. Eles cobram do governo brasileiro o fechamento de
acordos internacionais. O Itamaraty ainda não dispõe de números, mas já
percebeu que são muitos os brasileiros que estão fazendo o caminho de
volta. No caso do Japão, por exemplo, onde praticamente todos os 315 mil
brasileiros que estão lá são regulares, a expectativa é grande pela
conclusão do acordo em negociação.
3 milhões no
exterior
Atualmente, os acordos
internacionais em vigor beneficiam brasileiros que moram e trabalham no
Chile, Itália, Espanha, Portugal, Luxemburgo, Cabo Verde e Grécia, além
dos países do Mercosul. Um acerto Íbero-Americano de Seguridade Social
está praticamente concluído e ainda estão sendo negociados acordos com a
Alemanha, Canadá, Síria e Japão.
O secretário de
Políticas de Previdência Social , Helmut Schwarzer, explica que, mesmo não
tendo o acordo, o brasileiro que vai trabalhar no exterior pode se
proteger. Basta se filiar à Previdência Social no Brasil e pagar como
optativo. Dessa forma, quando voltar ao país, ele tem como contar o tempo
de contribuição para efeito de aposentadoria.
“A
existência de um acordo é um estímulo à contribuição porque ela vai lhe
render um benefício no futuro”, diz Schwarzer. O secretário explica que,
num acordo, cada país fica responsável pelo pagamento da parte que o
trabalhador contribuiu para a sua Previdência, aplicando a sua própria
legislação para calcular a parte que lhe cabe.
Estimativas extra-oficiais dão
conta de que existem cerca de três milhões de brasileiros espalhados pelo
mundo. A maioria, cerca de 1,2 milhão, encontra-se nos Estados Unidos. O
Itamaraty estima que mais da metade deles não são legalizados. Cerca de
800 mil estão em países europeus. O contingente de brasileiros na América
do Sul é estimado em 500 mil. E outros 315 mil estão no
Japão.
Pelos dados da Previdência
Social existem em manutenção no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS)
mais de 80 mil benefícios previdenciários com aproveitamento de tempo de
contribuição no exterior. Só de países do Mercosul a Previdência conta com
180 pedidos de contagem de tempo de contribuição para efeito de
aposentadoria no curto período de agosto a outubro deste
ano.